Quais os limites entre jornalismo e publicidade na comunicação empresarial?
Existe um debate entre publicitários e jornalistas que atuam em empresas (assessores de imprensa ou jornalistas empresariais responsáveis pela comunicação de um negócio) com relação aos limites entre estratégias de publicação em veículos de imprensa com o objetivo de vender, e as publicações que tem o teor informativo e que geram autoridade.
Afinal, vale mais a pena investir em uma assessoria de imprensa que vai fazer a ponte com as redações e gerar mídia espontânea, ou investir em um “publieditorial” e garantir que o material saia nos maiores veículos?
A resposta é: depende do objetivo! Muita gente acredita que a comunicação é uma coisa só, mas a verdade é que existem diversas ramificações, como a assessoria de imprensa (que envolve trabalho jornalístico), relações públicas e publicidade. Cada qual com o seu papel, gerando resultados específicos.
Mas como eles podem se envolver? Leia esse artigo até o final para entender!
Publicidade dentro do jornalismo
Antes de mais nada é importante relembrar que os jornais (impresso, online, TV, rádio ou revista) são empresas. E assim como qualquer empresa, existe o desejo e o objetivo de lucrar.
É preciso isolar o romantismo em cima da ideia de que “informar as pessoas é a alma de qualquer jornalista que deseja, acima de tudo, o bem estar da sociedade por meio das notícias e informações de interesse público”. Sim: não deixa de ser verdade que o jornalista precisa informar as pessoas para manter o bem estar social, e existe uma certa “beleza” nisso; mas é claro que não é o único incentivo para esses profissionais.
Como empresa, os veículos buscam um meio de ganhar dinheiro e esse meio é a publicidade. Outras empresas que pagam anúncios para que o público do jornal a veja. É um meio de chegar até os clientes através de um canal que é, de fato, consumido. Por isso a publicidade vai estar dentro de jornais, mas isso não significa estar dentro do jornalismo, enquanto meio de informação! Fique atento.
Os “publieditoriais” são vilões ou aliados?
Dentro dos limites entre a publicidade e o jornalismo, que questionamos no título desse texto, surgem os publieditoriais: artigos (editorias) escritos e assinados por uma empresa que paga para que esses textos saiam nos portais de notícia.
É claro que o aviso de “informe publicitário” fica bastante evidente no topo da página, mas será que todo mundo consegue saber o que isso significa e tenha a capacidade de discernir quando uma matéria é realmente jornalística e de interesse público, ou quando é apenas um texto publicitário cujo espaço foi comprado e tem como objetivo vender alguma coisa, ou mesmo uma ideia?
Isso não é uma crítica aos publieditoriais, até porque eles são vistos com bons olhos quando bem feitos. É possível usar informações de interesse público dentro de um texto publicitário e, aí sim, a empresa ganha a visibilidade que precisa. Mas é preciso fugir do caminho perigoso das informações forjadas (ou aumentadas) com o único objetivo de vender.
Com a informação certa, vale a pena apostar nos “publis”
Quando falamos sobre a necessidade de ter um jornalista no time de comunicação, conversando sempre com o publicitário ou o responsável pelo marketing de uma empresa, é justamente pelo fato de que é possível casar a publicidade com informações de interesse público, que caminha junto ao jornalismo!
Usando a publieditorial como ferramenta de publicidade e jornalismo, é possível buscar dados, pesquisas, informações atuais e até mesmo fatos que são de interesse público, para passar uma mensagem com apelo comercial. Não é preciso utilizar exclusivamente de recursos voltados à venda, para de fato vender!
Quando a empresa consegue gerar autoridade para sua marca, a venda é consequência. Mas para que haja autoridade, o especialista precisa se envolver com informações e dados relevantes para as pessoas.
Não precisa limitar uma área e outra: se a publicidade conversar direitinho com o jornalismo é possível alçar voos mais altos! O que não pode acontecer é confundir a cabeça das pessoas que estão lendo, ouvindo ou assistindo ao jornal, e se deparam com uma matéria meio jornalística, meio publicitária.
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