Interesse público x interesse do público
O que faz com que um fato se torne notícia?
Se você acompanha nosso blog, certamente já leu sobre os 5 pilares básicos de uma notícia e viu que uma das exigências para que um fato venha a público por meio da mídia, é que ele seja de interesse público. Mas afinal, o que significa ser de interesse público?
Em suma, essa expressão diz respeito ao compromisso do jornalismo em informar fatos importantes para a sociedade, que promovam o bem-estar social de um modo geral. Ou seja, notícias que dizem respeito ao público, mesmo que não seja algo “interessante”, ou que as pessoas querem, de fato, saber.
Ninguém quer saber, por exemplo, sobre o aumento no preço do gás de cozinha: é uma informação ruim, triste, que prejudica o bolso dos consumidores, e nada interessante! Mas aí é que está o pulo do gato: a informação pode não ser do interesse do público, mas é de interesse público.
Ficou confuso (a)? Calma, leia esse artigo até o fim que você vai entender tudo!
O que te importa?
Em um primeiro momento, com o olhar despercebido, talvez você nem note a diferença entre um conceito e outro. Mas é importante dizer que a presença da preposição “do” entre as palavras interesse e público é muito mais que um capricho: é um verdadeiro abismo!
Isso porque, nem sempre o que é de interesse público realmente interessa ao público. E muitas vezes o que interessa ao público não tem relevância alguma a nível social. O “interessante” nem sempre é importante, e o papel do jornalista enquanto porta voz da notícia é se preocupar em prestar um serviço para a comunidade, de manter as pessoas informadas sobre o que realmente importa.
Pode ser interessante, mas não é uma notícia
Sabe quando um artista famoso termina seu relacionamento ou qualquer outra coisa que faz com que a imprensa gaste horas falando desse assunto? Esse é um exemplo de um fato interessante para algumas pessoas (convenhamos: tem muita gente querendo saber da vida alheia) mas na realidade não interessa a ninguém, a não ser as pessoas envolvidas na ação.
Ou seja, não há nada nessa notícia que vá acrescentar algo concreto na vida das pessoas. Não é papel do jornalista informar sobre coisas que não são importantes. Mas então, por qual razão um fato como esse se torna notícia?
Aí está a pegadinha da preposição: a noticiabilidade aqui está, não no interesse público, mas no interesse do público. Saber que um famoso terminou o relacionamento não muda a vida das pessoas, mas elas querem saber; isso gera audiência e, por conta disso, o assunto tem espaço nos meios de comunicação.
Audiência mais importante que prestar um serviço: perigo para o jornalismo!
A questão é que muitas vezes a audiência exerce tanto poder sobre os veículos de comunicação que aquilo que realmente interessa perde espaço para o irrelevante, o fugaz. E é neste momento que o interesse público é prejudicado e deixa de ser defendido em troca de interesses comerciais e mercadológicos.
Tudo bem divulgar notícias que apelem para o interesse do público, mas isso precisa ser feito em espaços propícios. Uma revista de fofoca, por exemplo (por que não?! O entretenimento também é importante), ou um portal de notícias voltado para famosos.
No caso de um fato que envolva pessoas muito famosas e que o veículo quer realmente publicar a notícia, o jornalista pode relacionar o tema central com algum recorte atual, para que aquela informação cumpra o papel da notícia, de ser relevante.
A audiência nunca pode falar mais alto do que a necessidade de informar, afinal, o jornalismo tem um papel social imprescindível e a alienação ou não de uma sociedade depende, sobre outros aspectos, se este papel está sendo desempenhado efetivamente por aqueles que fazem da pena e o tinteiro seu ofício.
O interesse do público não é o mais relevante no momento de determinar se um assunto é notícia ou não. É claro que todos precisamos de entretenimento; de algo que seja interessante para além da prestação de um serviço com informações importantes, mas no final, é o interesse público que cumpre o papel do jornalista, ainda que boa parte das pessoas não se interessem por ele!
Médicos, por exemplo, também não gostam de dar notícias ruins, como informar uma doença ou algo do tipo, mas esse é o papel dele enquanto profissional. O jornalismo funciona assim também.
Viu como os conceitos podem parecer semelhantes, mas são extremamente diferentes? Agora, na hora de produzir conteúdo pense sempre se ele é de interesse público ou de interesse do público, voltado para um nicho específico.
E não deixe de visitar nosso blog e consumir os conteúdos que temos por lá. Eles são de interesse público, sobretudo se você é um profissional da comunicação ou um empresário que quer contratar esses serviços![/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]